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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Dia de feira por aqui.

Eu gosto de ir à feira. Obviamente, não pela muvuca e muito menos pela delicadeza dos feirantes, mas pela variedade de cores, aromas e sabores. E principalmente: pela FARTURA.

No Japão tudo é muito pequeno, frutas e legumes são vendidos por unidade. E são caros! Lembro que quiabos vinham em pacotinhos com 10. Abobrinha (zucchini) eu comprava por unidade. Uma pequena custava cerca de 1 dólar.

Aqui são barracas e mais barracas enfileiradas, montes de frutas, tudo vendido às dúzias, aos quilos, e muita variedade. Acho que é essa sensação de fartura e pechincha que a feira livre tem que me seduz.
Eu já fui uma pessoa capaz de me concentrar no que fazia. Infelizmente, num momento de distração eu perdi essa habilidade, nunca mais achei e todos os meus momentos viraram momentos de distração.

Desconfio que parte da minha capacidade de concentração tenha sido absorvida pela placenta, assim como foram a memória e alguns neurônios... e pelo nível da coisa, se eu tiver outro filho, viro um zumbi desmemoriado e dependente de ritalina.

terça-feira, 15 de julho de 2008



Queria ser dessas pessoas que não se arrependem de nada.

Eu me arrependo de tudo. Do que eu fiz, do que eu não fiz. E quando não é o arrependimento propriamente dito, eu fico imaginado como teria sido se eu tivesse feito diferente.

Fico imaginando universos paralelos onde eu vivo vidas baseadas em outras escolhas. E elas sempre parecem melhores...

domingo, 13 de julho de 2008

Eu fui. E adorei.

Decidi que era hora de parar de me sabotar e botar a cara pra fora de casa. Estava morrendo de medo de me sentir deslocada, mas fui muitíssimo bem acolhida. Abracei gente que eu queria abraçar há tempos, avatares de mal gosto viraram gente de carne e osso, urls ganharam nome... pude agradecer quem me ajudou mesmo sem me conhecer, ri e me diverti muito! E voltei pra casa cheirando a fumaça...

E conversando sobre blogs, twitter e orkut na festa junina mais nerd que eu já fui, fiquei imaginando com quem eu gostaria de dividir aquele momento e descobri que eu não preciso dividir nada com ninguém. Eu estava lá e bastava.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tem uma fase em que os bebês se revoltam e trocar as fraldas vira uma tarefa extenuante, mais ou menos aos 10 meses. Nessa época, eu desenvolvi uma tática: dava alguma coisa diferente pro Lucas se distrair. De preferência, uma coisa que normalmente ele não podia pegar, celular, chaves, o PSP ou o DS. E funcionava.

Conforme o tempo foi passando, ele não se conformava apenas em segurar o objeto de desejo, tinha que estar ligado, fazendo barulho. Aos poucos ele foi pegando o jeito e a cada troca de fraldas ele descobria um botão novo. Com pouco mais de um ano ele já sabia como abrir o álbum de fotos do meu celular japonês.

Agora não preciso mais trocar fraldas, mas o interesse dele pelos gadgets continua. Hoje peguei ele mexendo no meu DS. Ligou, foi apertando os botões e selecionando até o jogo começar. Perguntei pra ele: Já ligou? Tá conseguindo jogar? Ele olhou pra mim e exasperado, falou: Não, Mãe! Aindo tô aplendendo!

terça-feira, 8 de julho de 2008



Eu não gosto de ir ao salão, não tenho saco pra interagir. Sabe aquele papinho mole de salão?

Então eu prefiro fazer as unhas em casa. Só vou quando é pra cortar o cabelo. E ainda me sinto lesada, porque com a quantidade de cabelo que eu tenho, devia ganhar um belo de um desconto.

Dessa vez fui no salão onde minha mãe corta o cabelo dela. Sabe o que eu mais gostei de lá? Lá não tem conversa fiada, fofoquinha. Quem corta cabelo são dois homens. Héteros. As manicures são mulheres, mas ficam num outro ambiente. Enquanto um deles cortava meu cabelo, o papo que rolou foi sobre carros. Falaram de um fusca turbinado que tem lá perto, de um programa de carro que passa na globo... e eu fiquei feliz por não precisar interagir. Só dei meu pitaco quando começaram a falar de calvície, um dos meus grandes pavores.

E sabe que eu gostei do corte?

domingo, 6 de julho de 2008

Liguei pra ver se tá tudo bem.

_Oi Pri! Como é que tá? O que vocês estão fazendo? Tá tudo bem?

_Tá, a gente tá comendo pizza.

_Ele tá bonzinho? Tá obedecendo?

_Tá. LUCAS! PERAÍ! NÃO! Tá, tá, depois eu te ligo!

quarta-feira, 18 de junho de 2008


Há cem anos atrás desembarcavam no porto de Santos a primeira leva de imigrantes japoneses que vieram ao Brasil em busca de um futuro melhor. O que se ouvia por lá é que o Braisl era um país onde a fartura reinava, onde o ouro crescia em árvores. Em parte, isso era verdade. Comparado com os tempos difíceis que os japoneses viviam... havia fartura sim, mas de trabalho nas lavouras de café, a tal planta que dava ouro. E foi assim, com muito trabalho que a história dos imigrantes japoneses começou.

Meus avós maternos chegaram aqui em agosto de 1925, os paternos em fevereiro de 1931.

Sinto não poder contar muita coisa da história deles, como foi a chegada, a adaptação, o trabalho na lavoura. Sinto muito mesmo, por não ter me interessado em perguntar enquanto ainda havia alguém aqui que podia me responder...

Eu fiz o caminho inverso, fui trabalhar no Japão como dekasegui e vivi lá por 8 anos. Eu fui de avião, matava a saudade pela webcam, fazia compras em mercados brasileiros. Sofri com o choque cultural e com a saudade, mas imagino que não passei por um décimo do que eles passaram quando chegaram aqui, depois de meses de viagem de navio, sem saber o que esperava por eles.

Hoje eu sei, que mesmo com essa cara de japonesa, eu sou brsileira. Meu coração é brasileiro e isso não vai mudar nunca. Mas eu sei também que sempre vai ter um pedacinho dele batendo pelo Japão. Seja pelo tempo que eu morei lá, seja pela saudade de meus avós, eu nunca conseguirei separar os dois países. Dentro de mim sempre vai haver um espacinho pra cada um.


Nabera


Masayo Nabera e Tsunematsu Nabera




Ouchi


Take Ouchi e Toyosuke Ouchi




*Clique nas imagens para ampliar.

terça-feira, 17 de junho de 2008




Imaginei que esse recesso duraria apenas o tempo pra me recompor, encontrar novamente comigo mesma.

Só que eu descobri que o caminho não é esse. Não preciso me reencontrar, eu preciso me refazer.

Não posso esquecer o que passei, o que passou e quem eu fui. Preciso aprender a conviver com meu passado, mas mantê-lo lá, no lugar dele que é na lembrança. Preciso aprender que hoje eu não sou mais quem eu era ontem, e que isso é bom.

E é assim que eu vou começar a preencher todas as páginas em branco que ainda estão no meu livro, é assim que eu vou começar a reconstruir minha vida.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Oh!

Oh! Eu tenho um blog!

Oh! Ele finalmente tem um template!

Oh! O template não é rosa!

Oh! Tem uma pimenta lá em cima!

Oh! Eu não como pimenta!

Oh! Eu não tenho nada de interessante pra escrever!

Mas ó: pelo menos eu estou viva...
 
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